
" Era uma vez uma casa branca nas dunas, voltada para o mar. (...)
Nessa casa morava um rapazito que passava os dias a brincar na praia. (...)
«Tenho que ir para casa», pensava ele, mas não lhe apetecia nada ir-se embora.
E, enquanto assim estava deitado, com a cara encostada às algas, aconteceu de
repente uma coisa extraordinária: ouviu uma gargalhada muito esquisita,
parecia um pouco uma gargalhada de ópera dada por uma voz de «baixo»:
depois ouviu uma segunda gargalhada ainda mais esquisita, uma gargalhada
pequenina, seca que parecia uma tosse: em seguida uma terceira gargalhada,
que era como se alguém dentro de água fizesse «glu, glu». Mas o mais
extraordinário de tudo foi a quarta gargalhada: era como uma gargalhada
humana, mas muito mais pequenina, muito mais fina e muito mais clara. Ele
nunca tinha ouvido uma voz tão clara: era como se a água ou o vidro se rissem.
Com muito cuidado para não fazer barulho levantou-se e pôs-se a espreitar
escondido entre duas pedras. E viu um grande polvo a rir, um caranguejo a rir,
um peixe a rir e uma menina muito pequenina a rir também. A menina, que
devia medir um palmo de altura, tinha cabelos verdes, olhos roxos e um vestido
feito de algas encarnadas. E estavam os quatro numa poça de água muito limpa e transparente toda rodeada de anémonas. E nadavam e riam.(...) "

"A sua cara era vermelha como um morango e as pontas da sua longa barba tocavam no chão. Mediu-o com o olhar e calculou que ele devia ter exactamente um palmo de altura...no dedo anelar brilhava um minúsculo anel de oiro...o seu fato verde, as botas de coiro castanho. À roda da cintura usava um gorro verde...enfeitado com uma pena de pássaro."
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