
"Adrian Mole é um adolescente com as preocupações existenciais de um adolescente: borbulhas; o corpo a crescer em sítios inesperados (inesperadamente); a cabeça a pedir explicações para todos os factos da vida e os factos da vida a fazerem «fintas» à cabeça...
Quando Adrian Mole inicia o seu diário ele tem 13 anos e três quartos. Quando o acaba tem quinze anos completos.
Pelo caminho fica o registo emocionante, inocente, engraçado e, quando calha, desesperado, do dia a dia de um rapazinho dividido e multiplicado entre os pais, a namorada, os professores, os amigos, a avó, o cão, os pais dos amigos, os vizinhos e o mundo em geral..."
Numa aula de Língua Portuguesa, lemos um extracto desta obra, apenas um dia da vida agitada do Adrian! A professora pediu-nos para redigir uma página de um diário, mas colocando-nos no papel da mãe do Adrian. Aqui seguem alguns registos desse trabalho.
"Borbulhas…
Quinta-Feira, 12 de Março
Hoje foi um dia muito, muito complicado! De manhã, o Adrian reparou que tinha a cara cheia de borbulhas vermelhas e gigantescas e fez disso uma tempestade num copo de água. Ele disse que era por causa da alimentação, pois nos últimos tempos temos comido comida congelada, mas eu disse que era por causa dos nervos e só por isso ficou logo chateado. Então tive de telefonar ao Dr. Gray para marcar uma consulta mas ele só o podia atender na Segunda-Feira. Eu contei-lhe e o Adrian ficou irritado.
Ai! Este rapaz com quase 14 anos e ainda não sabe como funcionam os médicos… Mas também não era preciso ir ao médico, mas lá tive de fazer a sua vontade se não estava sempre a queixar-se, mas não resultou. E fui trabalhar, como é óbvio, o dinheiro não cresce nas árvores e ainda por cima com esta crise mundial, não havia volta a dar.
Quando voltei para casa e vi que o Adrian não estava em casa, fiquei muito preocupada, eu ia chamar a polícia mas decidi telefonar aos amigos e assim fiz, mas ninguém o tinha visto. Então oiço o telefone a tocar, era a minha mãe a dizer que o Adrian estava na sua casa. Peguei nas chaves do carro e fui buscá-lo. Trouxe-o pelas orelhas, pois não se faz isto a uma mãe, aliás a ninguém.
Quando chegámos tivemos uma discussão e contei-lhe a história do “Pedro e o Lobo” e pu-lo de castigo: durante duas semanas, não pode jogar computador, nem playstation, nem usar o telemóvel.
Ele ficou amuado, mas tem de aprender que isto não se faz. Mas… também tenho de fazer comida saudável.
Até amanhã!"
Cristina Marta
6.º 3 n.º 5
Borbulhas…
Quinta-feira,12 de Março
Hoje de manhã quando acordei olhei para o lado e vi que o meu filho estava sentado na minha cama, a chorar porque tinha borbulhas na cara.
Eu levantei-me, peguei no telefone e liquei para o Dr. Gray a marcar uma consulta, se não, ele não se acalmava.
Depois vesti-me e fui para o trabalho. Quando cheguei a casa, vi que não estava ninguém.
Peguei no telefone e comecei a telefonar para os meus amigos, perguntando se, por acaso, tinham visto o Adrian.
Estive uns cinco minutos a pensar onde ele poderia estar. Fiz o jantar e logo a seguir peguei no telefone e liguei à avó do Adrian. E lá estava ele. Fui lá buscá-lo um pouco zangada. Quando chegamos a casa tivemos uma pequena discussão, mas era como se ele não me estivesse a ouvir. No que estaria ele a pensar? Não sei e não sei se vou saber.
Agora …cá estou eu a partilhar o meu dia contigo.
Claúdia Andrade,6/3, n.º 4
O Meu diário
Quinta-feira, 12 de Março
Hoje de manhã, acordei com o meu filho Adrian em pânico, estava assustado porque tinha a cara com borbulhas.
Ele é uma criança muito nervosa, por isso pensei que não era nada de grave, mas mesmo assim liguei ao Dr. Gray para marcar uma consulta, para descargo de consciência, pois deve ter sido por algo que comeu ou então da mudança de idade.
Preparei-me e fui para o emprego, Adrian ficou em casa a descansar.
Quando regressei a casa, no fim do dia, Adrian não estava, fiquei preocupada, porque ele não me avisou que ia sair, telefonei logo aos meus pais, porque já era hábito ele pedir a atenção deles. E lá estava ele, encontrei-o na cama como se estivesse muito doente, mas as suas borbulhas já estavam mais controladas, enfim, o que o Adrian procurava era um pouco de atenção, pois esteve muito assustado com as mudanças que o seu corpo estava a ter: coisas da idade!
Na verdade, eu tenho estado pouco tempo com ele, devido ao meu emprego que é muito desgastante, o que fez com que ainda não tivéssemos conversado sobre as alterações na mudança de idade.
Foi preciso vê-lo numa cama para me aperceber que o meu menino estava a crescer e eu precisava de o preparar para isso.
Depois de uma longa conversa, regressamos a casa e o Adrian já estava mais conformado com as suas borbulhas, porque isso era apenas um dos sinais em como se estava a transformar num rapazinho.
O meu menino está a crescer e eu quase que nem me dei conta disso!
Chantal Gouveia, 6.º 3, n.º 25
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